PRINCÍPIO DA SEMANA #185

cúm·pli·ce- Que ou pessoa que tomou parte moral ou material em crime ou delito de outrem; Conivente; Que facilita a realização de algo; Que ajuda ou colabora.

Definição de adjectivo, de dois géneros, que nos surge primeiramente ligada à moral e ao direito. Existe outra, no entanto, que descreve o ser cúmplice como “que demonstra um entendimento secreto entre duas ou várias pessoas”. É sobre esta que me quero debruçar. Neste entendimento secreto de seu nome cumplicidade. Este sentir que quase nunca se explica e sem, muitas vezes, qualquer fundamento lógico. É por isso, e para mim, o sentimento mais enigmático e ao mesmo tempo bonito que pode existir entre duas pessoas e numa relação. Seja ela de que género for. 

À partida, podemos pensar que esta cumplicidade surge naturalmente com o tempo e convivência e, como tal, é uma consequência. Verdade, embora possa também acontecer uma espécie de cumplicidade quase momentânea e essa sim é verdadeiramente mágica. Até porque o tempo aqui não actua como condição. Não é devido à sua quantidade que o vamos sentir. Quantas vezes passamos “uma vida” com alguém e é exactamente isso [que não se explica] que [nos] falta? 

A cumplicidade é a maior prova, sem o ser de facto, de sintonia entre duas pessoas. É o estar na mesma frequência, sempre e passe o tempo que passar. Algo que se traduz na maior parte das vezes em silêncios. Olhares, sorrisos, gestos, expressões, sons, imagens, sem legendas, que captamos, partilhamos e que somente as duas pessoas envolvidas entendem.

Sentimento de união plena e que se faz sentir pela extrema confiança que existe entre as partes. É, aliás uma prova de total confiança. O tal “ele/ela saberá o que fazer/pensar, sem eu ter de dizer nada”. Uma forma de parceria, uma afinidade que torna duas pessoas verdadeiramente cúmplices uma da outra. O ser cúmplice exige, para além de confiança, muita entrega. Uma entrega que tem de ser acima de tudo natural. Aqui não existe espaço para o medo. Não há medo. Há apenas e só uma divisão. De gostos, sonhos, pensamentos, opiniões, modos e maneiras de estar. No fundo é, verdadeiramente, aquilo que não nos faz sentir únicos e por vezes até 'ET’s', aqui nesta dimensão a que chamamos planeta terra.

"Essa cumplicidade, leves sorrisos, fugidios olhares, é o que me prende. Não é nem preciso que me contes dos teus caminhos, porque sei do calor que emana do teu corpo quando, no sofá, escuto o declamar de coisas que não conheço e as tuas mãos correm nos meus cabelos, com aquele jeito especial que é só teu. Cada fio enrolado nos teus dedos é uma palavra de mim, um dizer que ofereço. Nesse instante de pura magia o coração acelera e como em tudo o que é mágico envolvemo-nos em poesia" (In "Cartas Perdidas") ➸ [Simples assim].

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