PRINCÍPIO DA SEMANA #183

dis·far·ce- (derivação regressiva de disfarçar)- Acto de disfarçar; Fingimento; Engano; Dissimulação; O que serve para disfarçar; O que está disfarçando.

Ao ler a definição ainda se tornou mais claro o porquê de nada nesta época me atrair, bem pelo contrário. Fingimento; Engano; Dissimulação, de facto, não fazem parte daquilo que considero serem boas competências da espécie humana. Obviamente que, na prática social e de dia-a-dia, o somos obrigados a fazer. A disfarçar. Muitas coisas. Sentimentos, emoções, gostos, opiniões, etc. Considero os óculos de sol um óptimo aliado nesta temática, uma vez que nos ajudam a disfarçar o indisfarçável e uma das linguagens não- verbais mais poderosas, o olhar. Temos, forçosamente, de disfarçar para existir o tal saber viver, saber estar, mas se aqui o compreendo, já usar uma máscara ou disfarce porque o calendário nos diz que é suposto fazê-lo, por uma tradição, que até nem é nossa, isso já nem por isso. 

Do ponto de vista antropológico, o Carnaval é um ritual de reversão, no qual os papéis sociais são invertidos e as normas de comportamento são suspensas. [Deve ser daqui que deriva a célebre frase “É Carnaval, ninguém leva a mal”]. Nada contra quem o faz e celebra. Mas, sobretudo nestes dias tento não ver imagens que falam dos supostos “carnavais de", que acontecem um pouco por todo o país, onde sob, muitas vezes, chuva e temperaturas abaixo dos 10 graus vemos os habituais homens vestidos [terrivelmente mal] de mulheres, quase despidas, a fingirem [a maior parte, também mal, muito mal] que estão num qualquer sambódromo, logo que sabem dançar samba. A mim, tudo isto só me provoca um tipo de sentimento, que muito poucas pessoas compreendem. Na minha opinião é mais uma cópia importada e que [em nada me] convence.

Os disfarces, as máscaras, funcionam também como mecanismos de defesa e refúgios psicológicos, que pela pressão de sermos aceites, vamos criando, simplesmente, para nos adaptarmos e respondermos às expectativas, que julgamos, que os outros têm de nós. O único perigo, de fazermos desta uma prática diária e de anos a fio, é de ficarmos perdidos, sem sabermos afinal qual das personagens, “que vestimos”, somos realmente. 

Não gosto de disfarçar. De disfarces. De máscaras. De cópias. De nenhum tipo. Não gosto pela sua essência, ou seja, não são reais, logo não são verdadeiras, e tudo o que não é verdadeiro não nos faz falta. Mas e usando o humor, até porque supostamente é uma altura própria para tal e voltando um pouco ao início e à máxima que impera nesta época, "Na dúvida, se faça de doido" ➸ [Simples assim].

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