PRINCÍPIO DA SEMANA #171

pers·pec·ti·va- Arte de figurar no desenho as distâncias diversas que separam entre si os objectos representados; Pintura no fim de galeria ou de alameda de jardim para iludir a vista; Aspecto dos objectos vistos de longe; Panorama, vista; Aparência; Esperança; Receio; Previsão.

“Ao longo destes anos estive de dieta vários dias da minha vida. Esses dias eram um suplício. Eu vivia a pensar, frustrada, no que não podia comer e tinha muitos apetites. Apeteciam-me bolos, folhados, gelados, chocolate, batatas fritas… E olhava para o peixe cozido com brócolos e tinha vontade de chorar. Como é que eu não percebi antes que nenhum ser humano, que goste de comer, aguenta uma restrição alimentar excessiva? Como? Nunca daria certo.

Hoje passo os dias a pensar no que posso comer e entusiasmo-me com os sabores, com as texturas. Se o meu pensamento vai parar a um donut de leite condensado, lembro-me que está a chegar a hora de comer o meu pão, do lanche da tarde, recheado com queijo de alho e ervas, fiambre de frango e rúcula e sinto-me feliz! Penso que, ao jantar vou comer um maravilhoso salmão, bem temperado, acompanhado por puré de couve-flor e a vida melhora num instante.”

Este é um simples exemplo que, quase tudo [ou será mesmo tudo?] é uma questão de perspectiva. O acontece diariamente, desde o mais ínfimo pormenor até aquilo que nos impacta, está ligado à forma como vemos as coisas. É uma lei, regida por nós mesmos, que existe para nos fazer entender que somos os criadores das nossas questões e da nossa realidade.

Por norma, vemos aquilo que queremos ver ou que nos é conveniente. No entanto e de forma contrária a esse princípio, optamos por ver nossos problemas sob a lente da constante insatisfação e de aumento. Um grão de pó que, rapidamente, se torna num drama psicológico, sofrendo processos de mutação tão intensos até se transformar em dor física.

Somos seres resistentes a mudanças. Seres de hábitos. Hábitos que nos fazem olhar, ver e sentir, da mesma maneira. O constante movimento, o dia-a-dia, que nos é imposto, impede-nos, muitas vezes, de conseguir parar e ver para além do que estamos habituados e, consequentemente, de ver as coisas de uma perspectiva diferente.

Somos educados por uns e educamos outros, mas parece-me que precisamos, também, de nos educar e muito, a saber perspectivar. A mudar de lentes. Um simples exercício de substituir o “hoje tenho de fazer X e Y”, por um “hoje quero fazer X e Y”. Se o fizermos vamos, seguramente, olhar para o mesmo, mas o que vamos conseguir ver terá muito pouco, ou nada, de mesmo. Pode-nos até parecer todo um mundo novo.  

“A dor é passageira, lembra-te de que o piloto és tu.” ➸ |Simples assim|. 

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