PRINCÍPIO DA SEMANA #161

i·ma·nên·ci·a- Qualidade de imanente; Característica do que faz parte da essência de alguma coisa em oposição à existência imaginária ou fictícia; Permanência.

Termo, conceito filosófico muito debatido e sujeito a várias e diferentes correntes de pensamentos, ao longo dos séculos, e daí provavelmente não ser uma palavra que usemos muito no vocabulário de dia-a-dia. Antítese do que é a transcendência, algo que nos é exterior e superior, a imanência designa o que existe, o que é real.

Sendo o real, o presente, a imanência recorda-nos algo que penso que de tão simples nos passa, cada vez mais, completamente ao lado. O aqui e agora. A nossa capacidade de apreciar a realidade e com ela as coisas pequenas que, se pensarmos, de pequenas não têm nada.

Vivemos, muitas vezes, |apenas| mergulhados. Na rotina, no que temos de fazer, |e não queremos|, nas obrigações, nos horários, nas tarefas, nos problemas. E, embora pareça que estamos no presente, ou já estamos “na terceira coisa a seguir”, ou pior ainda, este é um mergulho que nos faz pura e simplesmente cegar e não ver o que está à nossa frente, ou ao nosso lado. Isso impede-nos de viver e de aproveitar a forma natural como tudo o que é imanente acontece. O que é natural de acontecer, o que é natural de sentir. Tudo aquilo, pessoas, sentimentos, acções, que não valorizamos porque só pensamos no que temos para fazer/ resolver e que muitas vezes não vemos como. Fechamo-nos no nosso casulo quando mais precisamos de sair dele. Quando mais precisamos de ter força e confiança nas nossas asas.

As asas que precisamos para saltar e para sairmos do sítio onde estamos. Esquecemo-nos, por medo, orgulho, etc, que não há mal nenhum em receber ajuda para as abrir. Esquecemo-nos, ou não valorizamos, que é também para isso que servem as pessoas que gostam de nós e quem está à nossa volta. Para nos mostrarem outros “sítios” para podemos ir e onde podemos estar. E, muitas vezes, basta deixar que isso aconteça, simplesmente vendo o presente e tudo o que ele também tem de bom. Desfocar, por um segundo que seja, de tudo o que até pode ser um enorme problema e olhar para o lado.

A imanência e a sua simplicidade parece sempre o mais difícil de fazer, mas está cá sempre. E, pode ser sentida num “como estás”, num sorriso, num abraço, num gesto, num "gosto de ti", num "fazes-me falta", num "tenho saudades tuas". Num estar presente.

  Simples. Puro. Perfeito.



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