PRINCÍPIO DA SEMANA #159

cer·te·za- Qualidade do que é certo; Coisa certa; Adesão absoluta e voluntária do espírito a um facto, a uma opinião. Ausência de dúvida; Convicção; Estabilidade.

Tenho a certeza. Tenho a certeza absoluta. Quantas e quantas vezes fazemos esta afirmação? Muitas. Demasiadas, talvez. Sentimos certeza quando nos julgamos na posse da verdade e a mesma é definida como "uma condição psicológica, ou estado mental, de que as coisas são como as concebemos. Noutras palavras, caracteriza-se pela absoluta adesão a uma ideia, opinião ou facto, desconsiderando qualquer possibilidade de erro ou equívoco, sendo assim, um antagonismo à dúvida".

Curioso pensar que, muitas vezes, temos a certeza absoluta de coisas que, na verdade, não fazemos a mínima ideia. E, é exactamente isso que nos faz perder o foco e dar por certo, garantido. Ideias. Pensamentos. Coisas. Pessoas. Relações. Sentimentos. Dos maiores erros que cometemos e a toda a hora. Vamos "descontraindo" e inconscientemente começamos a pensar que já sabemos tudo, ou quase tudo, o que há para saber, sobre nós, sobre os outros.

Vivemos apegados a certezas, a estabilidades e equilíbrios baseados em decisões e caminhos que decidimos tomar. Precisamos e queremos que assim seja e agimos, em plena consciência, que o que é “hoje” será “amanhã”. Construímos uma série de opiniões e previsões baseadas em tudo aquilo que julgamos saber e que nos é um dado adquirido, ignorando, na maior parte das vezes, a dúvida e o “poderá não ser bem, ou até nada, assim”. As nossas ditas certezas, absolutas ou não, cegam-nos para a verdadeira realidade, pois deixamos de fazer coisas, tão simples, como falar, perguntar, comunicar. Esquecemo-nos que dados adquiridos, até há um dia ou cinco minutos atrás, podem não ser como temos a certeza que são, e que, num ápice, essa mesma dita certeza desaparece.

Fugimos ou insistimos em não ver. Em não ver que nada, mesmo nada, nos é dado como adquirido nem tão pouco é sempre igual. Perdemos a atenção. Esquecemos o que mais importa. Não ouvimos o órgão que verdadeiramente nos fala, |sim, aquele que temos do nosso lado esquerdo e não por baixo do cabelo|. O único verdadeiramente digno e merecedor de emitir certezas.  

Hoje e ouvindo o meu, tenho a certeza que tenho |muitas| saudades. Do que foi e do que, ainda, será. Simples. Puro. Perfeito.




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