PRINCÍPIO DA SEMANA #144

des·ti·no- Combinação de circunstâncias ou de acontecimentos que influem de um modo inelutável; Situação resultante dessa combinação; Fatalidade; Direcção; Lugar a que se dirige alguém ou é dirigida alguma coisa.

Fado, sina, sorte. Expressões que, em "bom português", dizemos e ouvimos diariamente, nas mais variadas situações e conversas. "Sucessão inevitável de acontecimentos à qual nenhuma pessoa pode escapar". Das concepções mais antigas, presentes em algumas mitologias, como por exemplo, na grega, mas também em correntes filosóficas, este fatalismo será, por ventura e, na qualidade de seres racionais, a definição mais difícil de aceitar e daí ser também das mais discutidas, de sempre. A verdade é que é uma visão assim e interpretada e vivida à letra contém algum perigo, na medida que serve |e tem servido|, ao longo da história, para nos desresponsabilizar das nossas mais variadas acções.

Para muitas religiões, o destino sempre foi visto como um plano criado por Deus que não pode ser alterado por nós, seres humanos. O cristianismo, por sua vez, defende que Deus dotou o homem do livre arbítrio |o tal poder que temos para tomar as nossas próprias decisões|. Já a corrente filosófica do determinismo defende que todos os pensamentos e todas as acções encontram-se causalmente determinados por uma sequência de causa/consequência. Nesta corrente mais forte, não existe nenhum acontecimento que aconteça por acaso ou por coincidência, ao passo que a vertente menos forte defende que existe uma correlação entre o presente e o futuro, sim, mas submetida à influência de eventos aleatórios. Noutra acepção diferente, menos filosófica e simbólica, o destino é visto como um ponto de chegada ou uma meta. 

Assunto e questão incontornável, onde e em pleno século XXI, no meio de tantas doutrinas, correntes, pensamentos, teorias, nos encontramos e conseguimos definir o que é, e se existe mesmo um destino, é, sem dúvida, "a" grande questão. Se por um lado sempre tivemos |e temos| a necessidade de acreditar em algo exterior e de alguma forma superior a nós, |tenha o nome que tiver|, a existência de um destino supõe que nada, ou quase nada, acontece por acaso, tendo uma causa já predestinada, isto é, os acontecimentos não surgem do nada, mas sim desta força desconhecida, mas acreditar "nisto" e nesta força, ao mesmo tempo não acaba por entrar em conflito com o nosso proclamado livre arbítrio?

Das questões mais discutidas e dos temas mais misteriosos e por isso mesmo mais fascinantes de toda a nossa história, sendo algo que nada tem de científico, à semelhança de outras questões da nossa existência, igualmente polémicas, deve ser encarada de forma pessoal e de acordo com a nossa vivência e sobretudo de acordo com a nossa verdade. Em suma, todos temos uma. Só uma. Que é a nossa e só nossa. E, acredito que é no caminho que nos leva à realização dessa mesma verdade que reside a |nossa| resposta. |Simples assim|. ➸

"O destino baralha as cartas, e nós jogamos"- A. Schopenhauer


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