PRINCÍPIO DA SEMANA #142



des·li·gar- (des- + ligar)- Desunir (o ligado); Desatar; Desobrigar; Absolver; Desatar-se; Separar-se; Desobrigar-se.

Assim como os aparelhos mais variados que transportamos connosco ou que moram na nossa casa, também nós e cada vez mais temos de aprender a verdadeira arte que é o desligar. O estar "off". Temos um ano generoso nesse sentido uma vez que acabámos de sair de um fim-de-semana grande e temos |para muitos| mais dois pela frente.

O conseguir fazê-lo, na minha perspectiva, é cada vez mais uma questão não só de saúde física mas sobretudo mental. Até porque o conceito tradicional de férias, assim como muitas outras coisas, cada vez menos é diferente daquele que era há uns anos atrás e cada vez mais poucos são aqueles que têm um mês, 15 dias ou até uma semana de pausa. Logo, estes períodos que o calendário nos proporciona têm actualmente toda uma nova importância e relevância para o nosso dia-a-dia.

Num mundo em que somos, a toda a hora, bombardeados por notícias, mensagens, notificações, fotografias disto e daquilo, praticar o desligar é um autêntico desafio. O ter tempo e disponibilidade mental para simplesmente estar no momento em si, uma odisseia que me parece ser um dos quebra-cabeças dos tempos actuais e ditos modernos.

A verdade é que "não ter que" é dos maiores sentimentos de liberdade que podemos sentir. Não ter que atender o telefone. Não ter que responder naquele segundo a uma mensagem ou e-mail. Não ter que trabalhar. Não ter que ter horários. Não ter que ir ao café à mesma hora de sempre. Não ter que ver o telejornal. Não ter que ver televisão sequer. Não ter que falar com quem não nos apetece. Colocar o telefone no silêncio porque não queremos receber nada que não venha do momento e do sítio onde estamos. O "não querer saber", como se por uns dias deixássemos de existir para o mundo é dos maiores luxos que nos podemos dar actualmente. E a verdade é que precisamos disto tanto como do ar que inspiramos a cada instante.

Estes momentos, pausas, dias, destinados ao descanso dão-nos oportunidade de experienciar todo um conjunto de sensações novas, diferentes daquelas a que estamos habituados. O viver sem ser a correr, sem pressa, horários ou tempo contado ao segundo. Esta liberdade para fazer o que nos apetece que pode ser o não fazer rigorosamente nada e não nos sentirmos mal com isso é o tal "segredo" que cabe a cada um de nós descobrir e viver. |Simples assim|. ➸

"Sábio é saber à hora de parar ou até mesmo silenciar"- J. Aukay

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