abril 03, 2017

PRINCÍPIO DA SEMANA #140

ex·tem·po·râ·ne·o |eis| ou |es|- Que vem fora de tempo; Inoportuno; Inesperado.

Tudo o que é inoportuno e inesperado, por norma, não nos agrada e provoca em nós, numa primeira fase, uma não reacção. Não reacção essa que seguidamente nos provoca um outro sem número de sensações e estados internos. O inesperado, o lidar com acontecimentos não esperados, à partida nunca é visto como algo de positivo. Isto porque passamos a maior parte dos dias e do tempo a achar que "até temos tudo controlado". Pura ilusão. Quando corre tudo pelo melhor e de acordo com o previsto, excelente. Dá-nos ainda uma sensação mais ilusória de falso poder, a questão é quando este extemporâneo acontece no sentido totalmente oposto e a única coisa que nos ocorre pensar é "e agora?".

O que fazer aos planos, às expectativas nas quais colocamos tanto de nós? O que fazer a sentimentos, emoções, sonhos, que de repente parece que se evaporam, quando o nosso dia-a-dia não nos dá margem para o inesperado? Porque, a verdade é que não dá mesmo. Por isso tendemos a esquecer que há todo um mundo de variáveis, coisas, pessoas, acontecimentos, que não conseguimos controlar. Nunca. Daí também a nossa natural incapacidade para |não| reagir ao que |não\ esperamos. A nossa necessidade de controlo acaba por nos cegar para a realidade e vemos tudo segundo o "nosso par de lentes", sendo que cada um de nós tem o seu...

A questão é como lidar com o que o imprevisto nos provoca- A ansiedade, o nervosismo, a frustração, a irritação, a agressividade, a raiva, a revolta, até. Este tipo de sentimentos que todos já sentimos. Sentimentos, estados que para além de não nos ajudarem em nada, são em si altamente perigosos pois têm o dom de nos dominar os pensamentos e as acções. Têm também o dom de "nos envenenar" e de ainda nos cegar mais para o que é verdadeiramente relevante, que é o sentido que o extemporâneo tem nas nossas vidas. O estímulo que ele representa, o motor que "ele" é. O que faz com que existam mudanças. O que faz com que "o amanhã" não seja igual "ao ontem". 

No fundo tudo vai dar ao uso das nossas emoções. Mais uma "cadeira e disciplina" que não temos na escola. Mais uma que, a par do português, da matemática e por ai fora, tanta falta nos fazia. A verdade é que quanto mais intensa for a sensação de que a vida deve ser como nós queremos e ponto final, mais intensas também serão as sensações negativas quando assim não o for. O que devemos valorizar é aquilo que nos faz crescer e fazer mais e melhor e devemos também tentar aceitar que, muitas vezes, para isso, precisamos de ser autenticamente sacudidos. O tal, "não faça planos para a vida, para não estragar os planos que a vida tem para ti". |Simples assim|. ➸

"Não force nunca; seja paciente pescador neste rio do existir". Agostinho da Silva


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