PRINCÍPIO DA SEMANA #134

fu·gir- |latim fugio, -ire|- Deixar um lugar depressa ou ocultamente; Retirar em debandada; Esconder-se; Desaparecer; Escapar; Evitar; Livrar-se; Correr rapidamente; Evitar; Esquivar-se a.

Em sonhos, diz-se que fugir ou sonhar que se está a fugir é algo associado a medo e até desespero. A fuga, claro está, existe no sonho e lá tentamos não lidar com algo desagradável. Uma discussão, uma sensação desagradável ​​ou experiências que não queremos ou temos medo de viver. Sentimentos de culpa e conflitos morais podem estar implícitos o que pode representar o evitar de uma responsabilidade ou obrigação. Apesar de o fazermos em sonhos não estaremos muitas e variadas vezes a fazer o mesmo no estado acordado? Não será esta necessidade de fuga uma natural consequência de comportamentos de repetição contínua de uma situação original? "Aquela".

Quando fugimos é sempre de algo ou de alguém. Um assunto por resolver, uma decisão consecutivamente contornada e adiada, um não assumir de responsabilidades. Chegamos a pontos de tal ruptura que esta, de facto, parece ser a melhor e única opção. E, muitas vezes é, sim. Os chamados momentos off, sejam horas ou dias e sejam eles manifestados em viagens exteriores ou interiores que não implicam saídas de lugar. O comportamento de fuga tem sempre as mesmas bases e são elas, as nossas indecisões, as nossas inseguranças e sobretudo a nossa não- aceitação. Cegam-nos para a solução que está sempre no mesmo sítio que todos estes outros "ingredientes", ou seja, cá dentro. Este medo, de nós, leva-nos para um lugar que só nós conhecemos e que acredito que cada pessoa desenvolva o seu. O nosso cantinho que muitas vezes pode apenas existir no nosso imaginário, mas que sendo físico ou não desempenha o seu papel.

Ao contrário dos sonhos sabemos, ao nível do consciente, que, quando fugmos, não podemos ficar "lá" para sempre. Temos de voltar, para "aqui". Para a realidade. Para a nossa realidade. E voltamos. Mais cedo ou mais tarde, voltamos. E, se olharmos com atenção a mesma vai ser diferente daquela que deixámos quando fugimos. Vai. É. Isto porque por mais que gostássemos de colocar tudo o que nos rodeia em modo pause, até voltarmos, da nossa fuga |e acredito que este seja um "comando" que toda ou quase toda a humanidade gostasse de ter|, isso não acontece. Nada pára à nossa volta. Nunca. E aí reside o que pode vir a ser um problema ainda maior do que aquele que nos fez fugir. O não saber, por puro e natural ego centrismo, lidar com o que encontramos, ou neste caso com as mudanças, à nossa volta, que verificamos e sobretudo sentimos.

Existem muitas coisas que não podemos mudar. Uma delas é querer voltar ao passado. Ou querer ter o "ontem" no dia de hoje. Não acontece. Nunca. Seria muito mais fácil se o aceitássemos e se tivéssemos sempre em mente que os nossos comportamentos, acções e todas as nossas decisões, desde as mais simples às mais complexas, as que apenas nos envolvem a nós, ou que envolvem outras pessoas, trazem sempre com elas responsabilidades. E, se em plena consciência, o admitíssemos e aceitássemos. |Simples assim|. ➸

|I hoped she'd never leave me
Please God you must believe me
I've searched the universe
And found myself
Within' her eyes| This i love- G. N' Roses.


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