PRINCÍPIO DA SEMANA #123

nor·mal- Regular; Conforme a norma; Exemplar; Recta que, passando pelo ponto de tangência, é perpendicular à tangente; Usual.

Estava muito curiosa para ler |pois nunca o tinha feito|, o significado 'oficial' da palavra normal. E, sem surpresas, aparecem termos como regular, conforme, exemplar. Tudo 'normal', portanto, nada de surpreendente. Para mim esta é uma palavra que se traduz noutra, que é- Polémica. Sobretudo interior. Desde sempre que fez parte das minhas mais profundas interrogações. O que é o 'normal', afinal? E, sobretudo o que é ser 'normal'?

É fazermos o que esperam de nós? É ter uma vida que o exterior espera que tenhamos? Ou é irmos assumindo a nossa identidade e particularidades e afirmarmos isso para nós e para os outros?
Demasiadas perguntas são provocadas por esta tão pequena palavra. Acredito que, independentemente da idade e da altura, que todos passemos pelas duas fases. A primeira em que tentamos ser considerados seres normais, e isto para mim quer dizer fazer tudo o que esperam que façamos, desde o ir para a escola até o trabalhar, casar e ter filhos, de preferência tudo da forma, vou dizer mais convencional para não repetir o normal, possível. Depois com a maturidade, e muitas vezes depois de já termos entrado totalmente neste registo 'normal', a segunda e verdadeiro desafio, muitas vezes demasiado doloroso, que é o sermos normais à nossa maneira. Ser normal à nossa maneira não é algo que aceitemos de bom grado, sobretudo se crescemos com o estigma de, lá está, 'não sermos normais'. Isto acontece por variados motivos, entre eles o não somos vistos como normais pois somos considerados rebeldes, com ou sem causa, por gostarmos de coisas diferentes ou por temos formas de ser que entram em conflito directo com quem nos é mais próximo. Complicado. Muito complicado. Há aqueles, muitos, que se perdem pelo caminho e que aos poucos vão desistindo e tentam é encaixar, e há os outros que lutam sempre contra à maré, que é o mesmo que dizer que lutam por si e para defender|-se|, acima de tudo e de todos.

O "ser normal não é o meu ponto forte", foi algo que já aceitei, há muito tempo atrás. Já nasci a não encaixar em convenções e regras e sobretudo no me era imposto. No que tinha que fazer, 'porque sim'. Como o 'porque sim', é algo que não existe, para mim, fui criando a minha normalidade, a que entendo que assim o seja. E, nem por isso vivi afastada do meio que me rodeia, pelo contrário. É da minha singularidade que estabeleço e que sempre criei as ligações, afectos, sentimentos e relações, da mais variada ordem, da minha 'normal anormalidade', como costumo dizer. Por isso sempre defendi, acerrimamente, a diferença, sou apaixonada por ela e por tudo aquilo que nos torna singulares. O que penso é que o que é normal para mim, no meu dia-a-dia, vida, pensamentos, acções, decisões, pode muito bem não ser para a pessoa mais próxima de mim, e isso é 'normal'. E isso faz de mim diferente, "anormal", ou é a pessoa que não compreende, que não vê, que não entende, que o é? Questões que dariam para debates intermináveis, em que não interessa quem tem razão |que deveria ser aliás o verdadeiro propósito de um debate|. 

O conceito de normal e tudo o que a ele está associado, se pensarmos bem, é 'anormal'. É anormal pois, no fundo, não existe, é vazio, em si. É por demasiado subjectivo e por isso existe em proporção igual a todas as pessoas que existem no Universo, fora. |Simples assim|. ➸

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