setembro 29, 2016

SE TU GOSTAS... |EU QUERO É QUE SEJAS FELIZ| #14

Descobri recentemente que sou… um manso. Afinal as minhas convicções são permeáveis e também vacilo nos ideais. O mundo continua a girar, é verdade, mas isto deixa-me pensativo. Passo a explicar: sempre estranhei a proliferação de ginásios e respectiva adesão mas depois… aconteceu-me um desígnio da vida: aderi à moda do Cross Fit. Para quem não conhece, é uma espécie de ginásio em que os exercícios são feitos em grupo, não tem muitos equipamentos periféricos, mas onde se usa bastante o corpo e o seu peso e mobilidade para executá-los. Existe também um espírito de convívio do estilo “estamos aqui todos a fazer não sei bem o quê, mas cá estamos”. “Todos juntos, allez!”,  acrescento eu.

Curioso é que também neste nicho-mundo também existem tribos, tal como na “vida real”: Os residentes – pessoas que que já participam nos exercícios há muito tempo e que se conhecem uns aos outros, que vão sempre à mesma hora fazer as aulas, tentam chegar mais cedo para dois dedos de conversa e saem bastante mais tarde para outros dois dedos de conversa. Podem também ser chamados de “viciados”, mas ainda não percebi bem no quê.

Os competitivos – aqueles que vão em missão, tipo tropa, já de corpo definido, invariavelmente a suar bastante e que estão sempre a fazer qualquer tipo de exercício, estando a decorrer a aula ou não. São os chamados Rambos lá do burgo, que anotam todos os pesos, passos, elevações e afins que fazem, para ver se amanhã fazem melhor. Esforçam-se muito e não poucas vezes urram bastante, tipo animais na quinta (mas esses urram sem se esforçar). Quando finalmente terminam, ficam dez minutos no chão, derreados, a descansar do esforço exagerado despendido. Estes são mesmos “viciados”, não sei se a suar se a urrar...

Os novatos – aqueles que, como eu, não entendem os nomes que se dão aos exercícios, mas que os fazem com tranquilidade, sem esforçar muito o corpo e que levam aquilo na desportiva. Esforço sim, mas q.b.. E sem paciência para estar a anotar o que fez ou deixou de fazer. Estar ali a fazer algo já é o bastante para assinalar. São aqueles que, amiúde, retornam à idade dos porquês: “mas porque é que aquele tipo quer levantar aquele peso novamente, se na última vez teve dificuldade?” Estes novatos parecem não ter vícios, mas para lá caminham.

Depois temos os instrutores. Pessoas porreiras, jovens, bem formados em diversas áreas, e que tratam a anatomia por tu. Outro dos seus papéis é motivar os alunos. Obrigá-los a dar tudo. E é aqui que surgem as “pérolas” de aprendizagem únicas, que nos ficam na cabeça pela noite dentro....  As frases “exercício difícil para uma vida fácil” ou “vá, anda, isto aqui não é o Holmes Place” fazem parte de um léxico que representa um admirável mundo novo. Para mim, novato, tem um efeito cómico – para outros é realmente motivador…

À parte o que possamos pensar sobre tudo isto, no fim ficamos com o que realmente interessa: fazemos exercício e ganhamos em qualidade de vida. Eu, para além disso, esperava já estarem agendadas umas patuscadas para o convívio – com grelhados, claro, para manter a linha… Para quê queimar calorias se não as repomos?

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