PRINCÍPIO DA SEMANA #112


ro·ti·na- Caminho já trilhado ou sabido; Prática constante; Hábito de fazer uma coisa sempre do mesmo modo; Índole conservadora ou oposta ao progresso; Sequência de instruções ou de etapas na realização de uma tarefa ou actividade.

Setembro. Um mês em que ouvimos muito falar do regresso à rotina. Esta palavra que tanto "nos cheira" a chatice, desconforto, aborrecimento, peso até. Como se de uma âncora se tratasse, encaramos este regresso à "vida normal", como se de um fatalismo se tratasse. O chamado "tem de ser". Isto porque me parece que encaramos o Verão, as férias, como os únicos períodos, dias em que podemos vivenciar alguma da liberdade que os dias mais leves nos permitem. 

Mas, e a verdade é que esta tal liberdade está em nós todos os 365 dias do ano, e tal como um slogan de uma conhecida marca, que anda a circular já há algum tempo, "a rotina pode ser maravilhosa", e com o qual concordo 300%. Parece algo idílico, utópico quase, mas é a mais pura das verdades. A tal lufada de ar fresco que são as férias pode ser vivida e experienciada, das mais variadas formas, no nosso dia-a-dia. E, no meio de todas as nossas obrigações, deveres, tarefas e listas podemos e devemos aprender a ter momentos de fuga, que podem muito bem ser |apenas| 5 minutos e ao fim de algum tempo verificarmos que afinal o que começou por ser o nosso momento de liberdade do dia, passou a fazer parte da nossa rotina. E, aos poucos, fazendo este exercício, começamos a encarar esta mesma palavra de outra forma. Até porque há algo de muito positivo e que penso que não damos a devida importância nisto da rotina. Que é o facto de todos nós precisarmos de uma. A parte boa de todas as rotinas e que nos conferem uma ordem interior, sentimento que precisamos a toda a hora de sentir. Como em tudo, o equilíbrio entre o bom e menos bom é algo que tem sempre de estar em nós. 

Obviamente que se passamos 8h do nosso dia fechados num sítio a fazer um sem número de tarefas que fazemos há 1000 anos e que em nada nos motivam, esta rotina e este regressar a ela, tem um peso muito maior do que se gostarmos daquilo que fazemos durante não sei quantas horas. Mas, e ainda assim, sei que é possível, se quisermos mesmo mudar esta nossa tão típica maneira de estar. Que é a de esperar a semana inteira pelo fim- de- semana e o ano inteiro pelas férias. Se preenchermos o resto do tempo que nos sobra com tarefas, sim vamos-lhe chamar assim, que de facto, gostamos e que sobretudo representem algo de desafiante para nós. Algo que nos faça superar e irmos mais além. Pode muito bem ser uma actividade física, mais mental, ou até nenhuma e simplesmente ficarmos em silêncio, 5 ou 10m. É sempre possível. Tudo é sempre possível. Basta querermos |muito|. 

"Perder-se é uma maneira de fazer novos caminhos e quebrar a rotina. Ninguém encontra um atalho sem se perder antes. " F. Carpinejar


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