PRINCÍPIO DA SEMANA #99

dor|ô| (latim dolor, -oris)- Sensação mais ou menos aguda mas que incomoda; Sensação emocional ou psicológica que causa sofrimento.

Apesar de nunca planear muito a palavra de cada princípio, e de ela (me) surgir como resultado de várias coisas que vou vivendo e pensado, semana após semana, jamais me passou pela cabeça que dor seria uma delas. Mas e esta semana, infelizmente, tinha que ser. Palavra pequena mas que tanto quer dizer e que tanto nos transforma.

Assim como a alegria, a dor faz parte da vida é verdade e claro que, como qualquer comum mortal, já a tinha experienciado, e muito até. Mas nunca este tipo de dor. Nunca. Aquela que praticamente nos faz esquecer todas as anteriores. E, também, nunca frases como a nossa vida muda num segundo, e sentir o chão a abrir por baixo dos nossos pés me fizeram tanto sentido. Pois foi isso mesmo que senti ao ouvir a mais terrível palavra que existe no nosso dicionário, aquela que nunca queremos ouvir e nos é dita como uma sentença, praticamente. Na passada 4F numa ida, aparentemente nada de especial, ao veterinário foi diagnosticado à minha menina, ao ser que mais amo neste mundo, um tumor. O ouvir e sobretudo ver, em écran, tem o poder de dividir a nossa vida em "antes" e "depois". Viver no "depois", e acordar todos os dias a pensar que isto foi um pesadelo, é algo que ainda estou a aprender depois de ter passado o choque. E o choque, percebi agora, são mesmo aqueles momentos em que perdemos toda e qualquer racionalidade. Em que tudo parece desaparecer à nossa volta e só existe dor. Pura e (muito) dura. Momentos em que percebemos o quanto somos impotentes em assuntos de saúde, o quanto nos podemos sentir pequenos e o quanto não conseguimos proteger quem mais amamos de tudo, ainda que pareça que sim. O tempo, esse que é o nosso maior amigo pode e é o mais terrível "carrasco" que existe quando nos põe frente a frente com a única certeza que temos. Aquela em que não pensamos, em que não podemos pensar.

Tocaram-me no intocável. Quem me conhece sabe o tamanho do incondicional que é o meu Amor por Ela. Quem nos conhece sabe o quanto somos uma. O quanto Ela SEMPRE foi minha filha. Nunca disse isso a brincar. Nunca. E por isso tenho o coração muito pequenino e muito apertado. Contrario-me, exactamente por Ela, em todos os segundos, para parecer que está tudo bem, quando não está, em todas as praticamente 24h que passo com Ela. Sei que tenho que aprender a esperar. Esperar pelo próximo passo. Aprender, agora sim, a viver um dia de cada vez, e acreditar. Muito. Que tudo vai correr bem e que o "meu intocável" e eu vamos superar isto tudo.

A todos(as) os que de alguma forma estão e têm estado connosco, seja em pensamento, seja fisicamente, uma grande lambidela e um beijinho no |♥|.

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