PRINCÍPIO DA SEMANA #91

li·vre- (latim liber, -era, -erum)- Que goza de liberdade; Independente; Que pode dispor de si; Que está em liberdade; Isento; Desimpedido; Desobstruído; Desembaraçado; Que não está ocupado; Não comprometido ou obrigado; Não proibido; Espontâneo; Descomedido.

Ontem, num semáforo, li a seguinte frase- "Pensar em liberdade". Curioso porque, é um tema sobre o qual tenho pensado muito nestes últimos dias. É um facto que fazemos coisas, diariamente, que nos fazem sentir que somos livres. Fazemos o que nos apetece, a qualquer hora. Somos livres para estar com quem queremos, até à hora que queremos, onde queremos, jantar num qualquer restaurante ou tasca, ir à praia, mudar de roupa não sei quantas vezes por dia, na rua se nos apetecer e for necessário, estar num bar até às 3.00 da manhã, ou mais se quisermos, andar de carro de bicicleta, de carro, de mota à hora que queremos, tudo verdade, tudo e mais alguma coisa à nossa disposição. Mas e o nosso pensamento? Será que acompanha e goza desta mesma liberdade, de acções, que sentimos no dia-a-dia? Não seremos, ainda, algo "escravos" daquilo que pensamos?

Acredito que podemos estar a ter a experiência mais libertadora possível, coisas simples como estar dentro de água, apenas nós e todo um oceano, e não sentirmos a liberdade que era suposto sentir. A verdade é que temos um pensamento egocêntrico na medida em que pensamos, vemos e criamos a realidade de acordo com a forma como a vemos. Ao contrário das acções, não somos livres de pensar como entendemos pois o nosso pensamento está sempre condicionado aos nossos pressupostos e à forma como interpretamos tudo o que vemos e (nos) acontece. Não aprendemos a controlar os nossos pensamentos, somos, diria até, controlados por eles. A mente domina-nos a cada instante criando-nos medos, insatisfações e necessidades constantes que não nos é inato conseguir superar. Não somos livres de ter pensamentos nocivos que nos magoam e nos fazem mal, que não percebemos que só existem, na maior parte das vezes, na nossa cabeça, logo no nosso pensamento. Um pensamento não é real, na medida em que é, só e apenas, nosso. Não é exterior, logo não é real. Crença e experiência são dois termos totalmente opostos e inversos. E crença é pensamento e experiência é realidade. 

A forma que temos de aprender a ser livres é aprendermos a observar aquilo que pensamos. Sim, parece quase impossível, mas não é. Como um filme que vemos no écran, vermo-nos de fora, é como ir a "um cinema interior". E se por algum momento, nem que seja um segundo conseguirmos aceitar a hipótese de que não existe positivo nem negativo, pois isso em si não existe já é um juízo assente em experiências psicológicas, já estamos no bom caminho. Aprender a ser livre é pura e simplesmente ser realista e aceitar a realidade não de acordo com as nossas lentes, mas como ela é. "Ser livre é seguir-se afinal". C. Lispector

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