PRINCÍPIO DA SEMANA #66

i·nes·pe·ra·do- Que não se esperava; Que acontece ou surge de repente, sem se prever; Aquilo que ocorre ou surge de forma imprevista.

Palavra que assusta e que no mínimo provoca em nós uma sensação de desconforto. O inesperado, o lidar com acontecimentos não esperados à partida nunca é visto como algo de positivo. Passamos o tempo, ou grande parte dele, a fazer planos para tudo. Planos da semana, planos de trabalho, de refeições, de férias, de vida. Um simples jantar de Amigos, ou de aniversário, obedece a um plano. E é óptimo, excelente até, quando planeamos algo simples e ele corre muito melhor do que à partida seria esperado. Sentimos todo um contentamento e sensação de dever mais que cumprido. O problema é quando acontece o total oposto. Quando temos um plano, uma série de expectativas nas quais colocamos sentimentos, emoções, sonhos e ele vai na direcção totalmente oposta.

Mesmo se não formos pessoas de planos, eles são-nos impostos como praticamente uma condição para conseguirmos viver em sociedade. Todos nós temos prazos e tempos para cumprir, logo necessitamos de um plano para o conseguir, sendo ele inconsciente, ou não. Os planos são tão ou mais necessários quanto atingir o objectivo. Penso que o único "erro" que cometemos ao fazer planos é mesmo o de não contemplarmos o inesperado. É é normal que assim aconteça, pois achamos ou esquecemo-nos que há muitas coisas que não conseguimos controlar como acontecimentos, situações, os nossos sentimentos, os outros. etc. E daí não conseguirmos muitas vezes lidar com reviravoltas inesperadas e desafios complicados. E é esta necessidade de controlo/incapacidade de lidar com o imprevisto que nos gera ansiedade, nervosismo, frustração, irritação, agressividade e raiva até. Este tipo de sentimentos, que todos já sentimos, para além de não nos ajudarem a resolver nada, têm um lado, na minha opinião, ainda mais negativo ainda que é o de fazerem com que não vivámos o que realmente acontece, nem assistamos às mudanças que acontecem à nossa volta pois ao deixarmos que nos dominem, tapam-nos a visão, cegam-nos mesmo.

O inesperado é um estímulo exterior e a forma como lidamos com ele tem de ser encarada usando a nossa capacidade em administrar as nossas emoções. E estas devem ser usadas de forma assertiva e pragmática, a chamada Inteligência Emocional que tem de ser imperativamente usada nestas circunstâncias. Para isso também é muito importante saber separar sentimentos de emoções. O que deve ser valorizado são os sentimentos, positivos como amor e compreensão. Emoções são por norma são exageros (muitas vezes desnecessários), e geralmente descambam para o lado negativo dos sentimentos, alimentando unicamente o nosso "mimado" ego.

A verdade é que quanto mais intensa for a sensação de que a vida deve ser como nós queremos e ponto final, mais intensas também serão as sensações negativas quando acontecerem imprevistos. Por outro lado, quanto menos expectativas temos sobre como as coisas devem ser e acontecer, menos pressão colocamos na vida e nas pessoas ao nosso redor menos emoções negativas desencadeamos quando a vida simplesmente flui e acontece.

"O coração é a região do inesperado"- Machado de Assis

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