PRINCÍPIO DA SEMANA #62

pre·sun·ção- Acto ou efeito de presumir; Suspeita, conjectura; Afectação, vaidade; Sentimento ou opinião de grande valorização que alguém tem em relação a si próprio. Julgamento feito a partir de indícios, hipóteses ou aparências. Hipótese considerada verdadeira até que se prove o contrário.

A presunção que quero referir não é aquela que é um dos derivados do que é considerado o primeiro dos sete pecados mortais, a soberba. A presunção a que me refiro, hoje, é aquela que e segundo um provérbio português, é a mãe de todas as asneiras. Definição perfeita na minha opinião. O tal julgamento feito a partir de indícios, hipóteses ou aparências, o que faz da presunção a mais terrível das "armas" do nosso pensamento.

Como seres ditos racionais pensamos, pensamos muito, passamos a nossa vida inteira a pensar, logo passamos, também, a vida a conjecturar sobre coisas que julgamos saber. O que pensamos saber é o que está na base de todas as presunções que fazemos. Navegamos num mundo de probabilidades e tomamos decisões com base nelas. O que sempre foi logo sempre será. A questão é que esta base de pensamento muitas das vezes está errada, ou seja, como dizia Epicteto não é possível começar a aprender aquilo que se presume saber...

Ontem, por exemplo, dia de eleições, acredito que a maior parte das pessoas que não saiu de casa para ir votar fê-lo com base na presunção de que não valia a pena, pois o seu voto não mudaria nada, logo hoje (para muitos) é dia de lamentações. E lá está, o pensamento que fez com que não existisse a acção foi assente num pressuposto errado pois se metade das pessoas que não votaram o tivessem feito certamente os resultados seriam diferentes e aí sim poderia existir uma mudança no nosso país. Outra das presunções, diria das mais frequentes, é a que fazemos com base na imagem. Julgamos os outros com base na forma como se apresenta e roupa que veste. Isto é mais do que um facto. E, a meu ver, muito tristemente, com base neste julgamento, nem nos permitimos conhecer realmente a pessoa que se veste da maneira "x" ou "y". Por isso afirmo que a presunção é a maior inimiga do conhecimento e de novas aprendizagens e experiências. Ficamos presos como se de uma teia se tratasse e da qual não saímos pois nem nos apercebemos que lá estamos. A presunção torna-nos reféns das nossas crenças que muitas vezes podem e não correspondem mesmo à realidade.

Como não presumi saber, ao me informar sobre o tema, li algures alguém afirmar que o grande responsável pela maior parte dos problemas do mundo é o hábito da pressuposição. E é totalmente verdade. Ao presumirmos, o tal eu sei, eu sei que vai ser assim, eu sei o que vai acontecer, julgamos com base no passado, com base no que sabemos e como tal fazemos um julgamento presente e que afectará o futuro, que na maior parte das vezes é errado, pois tudo e toda a gente está em constante mutação e como é natural as coisas correm mal ou então não correm como esperado. E isso faz-nos perder tempo, pessoas, momentos, vida. Perguntar. Falar. Conversar. Questionar. As perguntas ajudam a clarificar as coisas e pensamentos. Fazer perguntas, o tal querer saber dá-nos tempo para pensar e tempo para respirar sem tomar nenhuma decisão precipitada.

Faço muito poucas ou nenhumas presunções. Acredito sempre que não sei o suficiente para presumir o que seja, mesmo que a mesma coisa já tenha acontecido 100 vezes. Como acredito que pode sempre ser diferente, não pressuponho nada. E isso leva-me a concluir que as presunções estão para a humildade como o preto está para o branco. São totalmente opostos. A humildade faz-nos evoluir e a presunção faz-nos estagnar e não sair do mesmo sítio. Deixo uma sugestão, da próxima vez que julgar saber, sobre algo ou alguém, que tal fazer uma "coisa louca" como perguntar?

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