Princípio da Semana #60

con·tem·pla·ção- Acto de contemplar; Deferência; Olhar muito tempo e com atenção; Mirar-se; Olhar para si; Meditar profundamente.

"Somos mais felizes quando conseguimos que o nosso coração, inspire os nossos olhos..".
Sempre pensei na palavra contemplar como um acto de puro e genuíno amor. O ficar pura e simplesmente a olhar, a absorver aquele, aquilo que é alvo da nossa contemplação. Observar e contemplar são duas coisas que facilmente podem ser confundidas, mas que são na sua génese bastante diferentes. Observar é algo que fazemos todos os dias, a toda a hora, e que em muitas ocasiões pode ser feito praticamente sem sentirmos. Observamos tudo o que se passa a nossa volta e somos alvo da mesma observação. Mas contemplar é algo de muito mais profundo, solene até. Não tem objectivo definido. Acontece pura e simplesmente quando nos deparamos com algo ou alguém que de certa forma faz parte de nós, do que ou de quem gostamos. São momentos nossos, que vivemos interiormente e em que acima de tudo nos parece que o tempo pára e nada mais à volta existe. 

Contemplar exige paixão. Muita. Sentimento. Muito. Dedicação, devoção, até. Sou pessoa de contemplar. Das pequenas coisas às grandes. Contemplar o que vejo, o que decido ver. E a contemplação é isto mesmo. O VER, o decidir ver o que mais ninguém vê. Gosto do mistério, o mistério do outro, aquele que é o alvo da minha contemplação, de o absorver. É esse desvendar que me prende, que me "amarra". O tentar perceber.

Por mais que não seja consciente queremos sempre perceber, tudo. Achamos que precisamos de enquadrar emoções, sentimentos, no fundo tudo o que sentimos, mas e penso que a contemplação é um perfeito exemplo disso, nem sempre conseguimos explicar o porquê de sentirmos o que sentimos e isso causa-nos frustração, angústia, dor até. Como seres racionais que tentamos ser, a toda a hora, achamos que precisamos sempre de o fazer até para aquilo que não é para perceber que é- Porque de facto somos apaixonados por algo, ou alguém? Porquê? Podemos apontar vários motivos, escrever até, mas a verdadeira explicação não reside em palavras, não está nelas. Por mais elaboradas que sejam ficam sempre aquém do que de facto, É.

O mundo precisa de pessoas que saibam pura e simplesmente amar. O tal dar sem esperar nada em troca. Que se entreguem sem medo de sofrer (até porque esse sentimento em si já é um sofrimento). O mundo precisa de pessoas que sorriam de verdade e com vontade. Que chorem, que gritem sem medo do que os outros irão pensar. Pessoas que independentemente da idade, brinquem e que digam piadas só porque sim e que abracem como se fosse o mundo a abraçar-nos. Pessoas que saibam perdoar e seguir em frente. Construir. Pessoas que saibam que o mundo não é cor-de-rosa, mas é possível fazer dele um misto de várias cores. Pessoas que olhem, que vejam, que contemplem.

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