Princípio da Semana #45

pa·rar - Cessar no movimento ou na acção; Não passar além de; Estacar; Chegar a um termo ou fim; Residir; Permanecer; Conservar-se; Descansar.

Vivemos todos os dias e com isso não nos damos conta do ritmo, muitas vezes louco, a que o fazemos. Desde cedo aprendemos a nos movimentar, tudo em nós é movimento. Começamos a gatinhar e cedo começamos a andar e depois a correr. E a verdade é que este correr não é apenas físico. Vivemos numa sociedade em que temos que ser rápidos e em que até o dormir tem que ser rápido!... Acredito que a frase "não tenho tempo" seja proferida, pela maior parte de nós, pelo menos uma vez por dia. Fazemos tudo e mais alguma coisa em tempo absolutamente record e com isto esquecemo-nos do simples acto de parar. E vamos correndo e correndo. Começando, recomeçando, terminando. Sempre assim, neste ciclo.

O que acontece é que nos é tão necessário aprender o ritmo quanto a saber parar e como na maior parte das vezes não aprendemos este último somos forçados pela própria vida a fazê-lo. Infelizmente e por norma quando passamos por grandes crises emocionais, perdas, ou mesmo, doenças. E aí, por força de uma adversidade, ou várias até, somos forçados a fazê-lo. E não queremos. Porque parar de alguma forma não nos parece natural, porque não fomos ensinados a isso. Parece contra- natura e porque acima de tudo parar doí. E pode doer mesmo muito. E não queremos. Fazemos tudo para não sofrer, logo para não parar. 

Também acontece, muitas vezes, termos consciência que temos que abrandar, que parar, mas não queremos porque pensamos logo que não podemos, pois temos sempre taaanto para fazer ainda. E é verdade, temos, sim. Cada um de nós tem de facto muito para fazer, uns mais que outros é certo, mas todos temos a nossa missão, mas parar para pensar, não faz mal a ninguém e a grande lição que temos que interiorizar é que parar e saber parar não significa estarmos a estagnar os próprios movimentos da vida, pelo contrário, significa que estamos nós no controlo da velocidade adequada os movimentos diferentes da nossa existência, conforme o que estamos a viver e a sentir. Parar é também um sinal de inteligência emocional e de crescimento, pois parar é também, em si, uma atitude estratégica, pois e no ritmo em que nos impomos a viver é muito fácil não conseguirmos perceber os riscos e as precipitações que estamos a correr e a cometer, nem tão pouco o caminho que devemos percorrer. Parar aqui pode significar a diferença entre o sucesso ou (mais um) fracasso. A (grande) diferença entre a sabedoria e a precipitação. Parar é especialmente necessário antes de tomarmos decisões radicais e sobretudo que envolvam outras pessoas e vidas para além de nós. 

Precisamos de parar para ouvir a voz do nosso coração. Precisamos parar para ouvir a nossa intuição. Precisamos parar para reflectir sobre o sentido de tudo o que estamos a fazer. Precisamos de parar para, pelo menos tentar perceber, o porquê do que nos está a acontecer. Se por um lado a vida é movimento, por outro, ela exige constantes paragens. Saber parar é, também, saber viver, é sobretudo cuidarmos do bem mais precioso que temos e que muitas vezes nos esquecemos- O nosso EU.

"As vezes é preciso parar e olhar para longe, para podermos ver o que está diante de nós."- John Kennedy

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