Princípio da Semana #42

ce·dên·ci·a(s)- Acção ou efeito de ceder; Delegação ou transferência; Acto ou resultado de doar; Conceder ou dar;

Palavra à qual, na minha opinião, não é dada a devida importância. Todos temos crenças, opiniões, maneiras de pensar e funcionar e todos também, mais cedo ou mais tarde, temos de ceder.

Todo e qualquer relacionamento exige-nos trocas e negociações, logo é assente em cedências. Associamos muito a palavra cedências a uma relação amorosa, mas as cedências são muito mais que isso. Cedemos também em função de algo maior que nós. Cedemos o nosso bem mais precioso- o nosso tempo para participar e ajudar causas em que acreditamos, mesmo que isso não nos traga resultados práticos imediatos. Ceder é dos melhores exercícios que podemos fazer por nós a nível de crescimento e maturidade, pois as cedências são naturais, logo são sinais efectivos de crescimento interior. Nunca nos deverão ser impostas, pois se assim for não são verdadeiramente cedências mas sim obrigações. 

Não é fácil fazer cedências, pois temos sempre 1001 desculpas para não o fazer. E é porque temos que acordar cedo a um Domingo, depois de ter dormido 5h, para estar outras 5 em pé a fazer voluntariado, e é porque não nos faz sentido ir comemorar para o Marquês de Pombal a vitória de um clube que não é o nosso, (mas é o da (quase toda) restante família). São vários os exemplos que poderia dar, mas o importante a reter é que ao longo da vida vamos mudando, e essas mudanças são visíveis quando algo que nos parecia impensável até há pouco tempo atrás, é feito com genuína vontade e naturalmente. Porque ceder é amar, ceder é colocar as nossas vontades em segundo plano em prol de algo superior. É o acreditar em algo, ou simplesmente amar quem está à nossa volta e fazê-lo "apenas" pela satisfação interior de fazer essas mesmas pessoas felizes e viver momentos importantes com elas, mesmo que não o sejam para nós. 

Acredito que a coisa mais difícil num relacionamento, seja de que género for, é saber quando é a hora de acalmar o nosso orgulho e vontade para fazer e permitir a dos outros. Fazer com que os relacionamentos funcionem é, sem dúvida nenhuma, um enorme desafio. Se não aprendemos a ceder, mais cedo ou mais tarde o relacionamento acaba e muitas vezes não por falta de Amor, mas sim pela ausência de tolerância e compreensão. Competir é necessário e natural mas deve acontecer de forma saudável, onde exista espaço para o crescimento individual. A dificuldade é saber ceder sem perder a nossa individualidade. Numa relação em que só um dos lados cede não funciona, e com o tempo torna-se insustentável. Tudo na nossa vida tem que ter como base o equilíbrio, pois só relacionamentos assentes nesta base funcionam e sobrevivem a todos os egos e sobressaltos. 

Ceder não significa parar de me preocupar. Ceder não é tornar as coisas mais fáceis, mas sim extrair lições das consequências de nossos actos. Ceder não é julgar, mas admitir que a outra pessoa é um ser humano. Ceder é não intrometer-se tentando resolver problemas alheios, é permitir que as pessoas encontrem as soluções por elas próprias. Ceder não é rejeitar, mas aceitar. Ceder não significa adaptar tudo conforme meus desejos, mas aceitar as coisas como são, cada dia como é, e apreciar cada momento. Ceder é temer menos e amar mais...

"Não entendes nada de Amor porque nunca soubeste o que é ceder". Closer - Perto Demais

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