Crónicas da Inês #18

No amor, a curiosidade pode matar o gato?

Ser curioso/a, para mim, é uma virtude. O desejo imenso de querer aprender e saber mais sobre qualquer coisa é o que nos permite crescer, ser mais espertos e entender melhor a realidade que nos rodeia. 

Há quem defenda que o conhecimento pode ser um obstáculo à felicidade (“longe da vista, longe do coração”, “a chave da felicidade é a ignorância”, “os ignorantes são mais felizes”); Adão e Eva foram expulsos do paraíso porque quiseram saber mais do mundo; e o mundo está cheio de problemas porque uma mulher abriu a caixa de Pandora; exemplos na história da Humanidade não faltam.

E nas relações? Ser curioso/a apresenta perigos?

Na esfera romântica, as pessoas tendem a querer saber o mais possível sobre o parceiro. Isso permite-lhes criar intimidade mas também destrói ilusões. Informação em particular sobre o passado amoroso de um parceiro pode ajudar a conhecer melhor a sua personalidade mas traz também os fantasmas do passado, faz crescer as inseguranças e os medos no presente e pode trazer para o meio do casal uma nuvem de desentendimentos e desconfianças. E esta é particularmente verdade quando as histórias do passado desvendam episódios de infidelidade.

A imaginação tem um papel crucial na nossa vida e temos uma tendência inata para ver e vivenciar para além da experiência do presente. Por isso, histórias que possamos ouvir, podem ganhar uma dimensão para além da sua realidade e afectar a dinâmico do casal, comprometendo, assim, o desenvolvimento do amor profundo e de compromisso.

Por outro lado, o mundo em que vivemos hoje em dia pode impactar no modo como vivenciamos os acontecimentos. Este conceito de viver rápido e experienciar muitas coisas em simultâneo pode dar aso a que a curiosidade por novos parceiros românticos ou sexuais cresça prejudicando as relações actuais. E por isso, temos a tendência de manter várias portas abertas, às quais podemos recorrer caso algo não corra de feição ou a curiosidade seja maior do que conseguimos aguentar e conter dentro de nós.

Quantidade de curiosidade certa por pessoa? Não existe! Diria que depende de cada um… mas uma coisa asseguro-vos: na vida não há “undos”; depois de verem a curiosidade satisfeita, depois de encontrarem o que foram procurar, não há forma de voltar atrás por isso, o truque, é perceber bem os limites de cada um e não ir nadar fora de pé. Pensem nisso! ;)


Imagem © Direitos reservados

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