Crónicas da Inês #17

Borboletas na barriga

A Carrie Bradshaw, numa das suas crónicas de Sexo e a Cidade, tem uma frase muito popular e que me é muito querida que diz, em tradução livre, “(…) algumas pessoas recusam-se a contentar-se com nada menos do que borboletas” (Some people are settling down, some people are settling and some people refuse to settle for anything less than butterflies). E pergunto-me: e o contrário? É possível? Para uma pessoa ter uma relação feliz e duradoura e que lhe complete têm mesmo de existir borboletas na barriga (pelo menos em algum momento da relação)? Ou será tudo isto possível sem paixão, sem aquele ardor, aquele gancho que nos prende um ao outro, sem aquele sentir forte e aquele medo de perder?

São as borboletas na barriga uma condição sine qua non para uma relação? Ou é a paixão um sentimento sobrevalorizado e romantizado pelos filmes de Hollywood e que, no final, não é mais do que algo descartável e que não deve ser considerada uma variável obrigatória na fórmula de sucesso de uma relação?

É verdade que as relações (como as pessoas) não são estanques e evoluem mas, pode uma relação crescer do nada e vingar sem nunca ter passado essa fase? Porque, olho em volta e vejo que cada vez aparecem mais relações do “porque não? Vamos tentar a ver se dar. Até gosto de estar contigo.” E se não for mesmo preciso este “gancho” inicial que parece surgir por magia? E se a grande maioria de nós anda feito tonto à procura de uma coisa que afinal não é fulcral? E se o rirmos juntos, o termos conversas intermináveis, objectivos em comum e o gosto pelo abraço um do outro for suficiente (e, quiçá, até mais importante)?

Trago todas estas questões dentro de mim e, como nestes casos da condição humana e das relações, penso que a resposta será sempre “depende”. Porque depende das pessoas envolvidas, do momento em que estão na vida, do que ensejam, do que as concretiza. E, se calhar, para alguns de nós, esta magia inicial não é mesmo essencial nem tem um peso alto no resultado final que é uma relação. E, para outros, são as borboletas que lhes dão sentido à vida.


Imagem © Direitos reservados


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