Princípio da Semana #23

ex·pec·ta·ti·vas- Acto ou efeito de expectar; Desejo intenso por algo próspero; Esperança baseada em supostos direitos, probabilidades, pressupostos ou promessas; Estado de quem espera por algo ou por alguém.

A vida é feita de escolhas e não de expectativas, mas é próprio da nossa condição e natureza humana criá-las em relação àquilo que queremos para nós. Estamos numa altura bastante propícia a isso. Acabámos de entrar num novo ano e com ele 365 novos dias, neste momento e sendo rigorosa 360, de novas metas, objectivos e claro está expectativas.

A questão é que as expectativas geram muito facilmente ferimentos emocionais e frustrações e assim, como em tudo na vida, precisamos de aprender a lidar com elas e a utilizar a nossa razão (e não emoção) como mediadora entre elas e o que é de facto a realidade. Para pessoas bastante emocionais esta é uma tarefa bastante complicada e morosa. Diria até que é uma tarefa para a vida, dado que quanto mais emocionais, imaginativos, criativos somos mais tendemos a criar mais e mais expectativas em relação àquilo que nos parece ser a realidade do que nos rodeia. Nas relações afectivas é onde isto mais acontece, dado que é onde projectamos mais os nossos desejos e necessidades e esperamos de forma normalmente inconsciente que "o outro" os satisfaça. E quando isso não acontece vem a dor, a mágoa, a revolta até. Achamos que os outros nos decepcionam quando, na verdade, na maioria das vezes fomos nós quem criamos expectativas irreais sobre eles e sobre as atitudes que achamos que deveriam ter. 

Precisamos de ter consciência que as nossas expectativas são formadas a partir dos nossos desejos e imaginação e, não possuem, muitas vezes, nenhuma relação com a realidade. As expectativas são apenas nossas, logo não podemos fazer depender de outras pessoas ou acontecimentos a sua concretização, pois esperamos por algo sobre o qual não temos verdadeiro controlo. A vida e as pessoas à nossa volta não são como nós gostaríamos que fossem, são como são, ponto. Apenas podemos agir sobre as coisas que dependem de nós e das nossas atitudes. Somente sobre elas é que podemos ter controlo. 

A "solução" para saber viver com a expectativa, passa por conseguir distinguir expectativa de esperança. São duas palavras e conceitos completamente diferentes e que operam de forma também ela diferente dentro de nós, mas muito facilmente confundidos. O equilíbrio é tentar não esperar demasiado, e assim achamos que tudo o que acontece é bom e facilmente alcança ou até supera as nossas expectativas. E, muito importante, antes de projectarmos as nossas expectativas em relação aos outros devemos analisar as nossas expectativas em relação a nós próprios. Usemos o coração para amar e a razão para compreender e aceitar.

"Eu não quero promessas. Promessas criam expectativas e expectativas borram maquiagens e comprimem estômagos". F. Mello


Imagem © Direitos reservados

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