Crónicas da Inês #8

E, depois, tu apareceste.
Tinha-me esquecido de qual era a sensação de andar de mão dada na rua. Esquecido ao que sabia aquele braço quente por cima dos meus ombros que me aquece, protege e conforta quando faz frio.
Já não me lembrava do sabor de um beijo apaixonado, sentimento descontrolado de quem se esquece que não está sozinho.
Não me recordava o que era um abraço genuíno daqueles em que me perco no meio de braços compridos, musculados e quentes que me envolvem como uma redoma de protecção.
Reavivei a memória da magia de acordar e ter uma mensagem de bom dia, uma surpresa, um carinho que me coloca um sorriso nos lábios e que perdura durante todo o dia até ao momento em que estou com ele.
Havia-me olvidado do que era viver sem este sentimento de não saber se ele tem tempo para mim, ansiedade que consome quem é preterido. Esse conforto de saber que ao final do dia ele está lá para mim, pelo telefone, em minha casa, na sua, à porta do emprego. Está lá.
Tinha-me esquecido do que era apaixonar-me cada vez mais, todos os dias. Das borboletas que nascem na minha barriga sempre que oiço a sua voz, que imagino a sua gargalhada ou lembro o seu toque e o calor da sua pele.
Todos estes pequenos momentos, gestos e sensações que fazem com que este sentimento cresça e invada e preencha lugares vazios e espaços do meu coração que outrora foram de outros. E que me fazem querer investir e apostar e deixar viver e crescer e partilhar tudo o que está para vir com ele.

Obrigada por teres aparecido, procurado, insistido, investido. E por me teres feito relembrar tudo isto.

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