Crónicas da Inês #3

"Só" porque gosto de ti:
Hoje fui até tua casa, mas não toquei. Fiquei lá em baixo, observando as luzes dançantes da televisão no breu da sala e a imaginar-te no sofá enquanto fazias zapping na televisão. E fiquei a pensar… a partir de que momento “gostar” deixou de ser suficiente?
Sinto que houve um instante em que entrámos numa espiral onde o que sentíamos um pelo outro não era suficiente para continuarmos. Algum momento onde o futuro desalumiado, os medos e as ansiedades que viviam em nós se sobrepuseram ao sentimento que nos unia.
Não pertenço ao clube daqueles que coleccionam relações avulso e que cedem às pressões dos rótulos mas a realidade é que sinto que me assustei, racionalizei, quis tomar o controlo das emoções e dos sentimentos que viviam em mim e aos poucos fui deixando que as minhas inseguranças tomassem conta de nós.
Tu querias estar sozinha e ter tempo para perceber. Eu tinha tudo percebido e queria estar contigo. Tu querias encontrar o teu caminho. Eu queria fazer o meu caminho contigo. Tu querias a carreira. Eu queria a mudança. Tu querias ir com calma. Eu precipitei-me, acelerei e estampei-me.
E vejo mais exemplos como nós em redor: a Catarina que quer ficar com o Francisco que namorava com a Sofia que agora quer estar sozinha quando o Pedro queria estar com ela e acaba por estar com a Filipa que, na verdade, é apaixonada pelo João que quer estar focado na carreira e não quer nenhuma mulher na vida dele agora. A Catarina e o Francisco são apaixonadíssimos um pelo outro mas o Francisco ainda gosta da Sofia que sempre teve um fraquinho pelo Pedro cuja mulher da vida dele é a Sofia mas que acabou por investir na Filipa de quem gosta mas que tem olhos é para o João que, na realidade, ama a Filipa de paixão mas que não quer ter de dividir a sua atenção entre ela e a empresa que está a formar... todos se gostam mas nenhum está realmente com quem gosta (de verdade).
Acho que no final somos todos estrelas perdidas a tentar iluminar a escuridão mas que acabamos por nos prender a desculpas por receios que não têm razão de existir, que nos toldam o caminho e pelas quais abdicamos….

Vou sair e vou até tua casa. E subir. Porque quero sentir-te sem pensar no depois. Porque quero estar ao teu lado e ouvir os teus silêncios e os teus disparates. Porque tenho saudades. Porque quero estar contigo só porque gosto de ti.

Imagem © Direitos reservados

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